Feliz dia do amigo pros meus amigos, novos amigos, velhos amigos, amigos velhos, pros amigos dos meus amigos e até para aqueles que um dia foram meus amigos e por algum infortúnio não são mais tão presentes. Ontem eu meio que li dezenas de textos sobre amizade para encontrar um que fosse interessante o suficiente para ser postado. Li um do Fernando Pessoa, mas não achei conveniente colocá-lo aqui, como boa bobona, eu chorei pois era triste e realista. Às vezes a realidade dói, não é mesmo? Procurei por um texto que colocasse a amizade de forma mais eterna, independente da distância, do contato constante e valorizasse a amizade que pode ser de segundos mas é eternizada por um momento importante. De fato achei e espero que vocês gostem e consigam mentalizar as pessoas que fazem da nossa vida uma festa constante, aquelas que possuem o abraço mais confortante, a mão mais carinhosa pra enxugar nossas lágrimas e a voz mais verdadeira que te diz “Vai dar tudo certo!”e você simplesmente acredita, eles são seus amigos e neles você confia.
“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
Paulo Sant’Ana”
Laís Barradas.